quarta-feira, 24 de maio de 2017

Festa do Divino: 20 anos de resgate!

Duas décadas atrás reunia-se numa sala das dependências da Igreja de Matosinhos (não era ainda santuário) uma pequena comissão de abnegados festeiros sob a inolvidável liderança do artista sacro Osni Paiva e atenciosa direção do pároco, Padre José Raimundo da Costa para resgatar a Festa do Divino, um grande jubileu em honra ao Espírito Santo, que a 74 anos estava a bem da verdade paralisado. 

Entenda-se paralisado como um modo de dizer frente ao que fora até 1924, ano que sofreu uma supressão. Tornara-se um evento pequeno, desprovido de brilhantismo e dimensão, em ocaso. Ocorre, que em 1997, o referido sacerdote convidara para acompanhar a procissão de Pentecostes o grupo de congadeiros da vizinha cidade de Coronel Xavier Chaves, sob o comando do célebre Capitão Zé Carreiro. A iniciativa foi muito exitosa e bem acolhida e serviu de embrião para o resgate. 

Paralelamente, Osni Paiva, munido de intensa pesquisa sobre a história do bairro, uma fé muito firme e boa disposição, trouxe à tona sua sabedoria e liderou o grupo que trouxe de volta a grandeza da festividade pentecostal e o Paráclito foi novamente honrado com cantos, danças, toques instrumentais, muita tradição e história. Grupos culturais diversos vieram ao adro de Matosinhos naquele maio, de 1998, e trouxeram no seu rastro uma multidão de devotos visitantes. A evangelização e todo o cerimonial da Igreja pautou todas as atividades e o que parecia impossível deu certo. A Festa do Divino estava de volta, como sempre deveria ter estado. 

A proposta foi ousada. Acolher tantos congados e folias, alimentá-los... banda, orquestra, pastorinhas, dança das fitas! Tudo isto se integrou e a cada ano se coroou um imperador, como festeiro maior, festeiro de honra, simbolizando toda a comissão de festejos. Em maio de 2017, passados vinte anos, temos ainda, a honra e a grata satisfação de ter conosco no plano terrestre os vinte imperadores vivos: 

1998 - Ulisses Passarelli
1999 - Luthero Castorino da Silva
2000 - José Gonçalves de Sousa
2001 - Paulo Zini
2002 - Geraldo Elói de Lacerda
2003 - Antônio Carlos Garcia
2004 - José Tadeu do Nascimento
2005 - Nivaldo Neves
2006 - José Cláudio Henriques
2007 - Antônio da Silva Serpa
2008 - José Clever de Oliveira
2009 - Jânio Fernando Salomão
2010 - José Francelino dos Santos
2011 - Antônio Cipriani Carvalho
2012 - Ivan Campos Nascimento
2013 - Edmilson Washington da Silva
2014 - Dácio Sebastião de Carvalho
2015 - Francisco José do Nascimento
2016 - Nelson Domingos de Abreu
2017 - Adilson Rodrigues Júnior

Este último será coroado na missa solene de Pentecostes deste ano como o mais jovem dos vinte, e assim, como sinal de esperança de continuidade, segue esta irmandade, qual fosse um conselho permanente, ajudando com sua experiência a orientar os rumos deste festejo jubilar. 

Os rituais festivos começam nesta quinta-feira (dia 25 de maio) e seguem com missa e novena a partir do dia seguinte, sempre às 19 horas no santuário. A festa culmina do dia 03 de junho, sábado, com a Procissão do Imperador Perpétuo e encontro de folias do Divino, e no domingo, 04 de junho, dia maior, com participação de congados o dia todo e várias celebrações, destacando-se a missa solene às 16 horas e a procissão logo depois, que reúne considerável multidão na principal via do bairro. 

A festa merece ser prestigiada e preservada por todos os meios. Cada membro da Comissão do Divino deve carregar esta lei no peito. A mesa diretora e os imperadores tem ainda mais responsabilidade na salvaguarda da festa e espera-se da Igreja todo apoio e fomento ao jubileu, e todos juntos na busca de parcerias e apoiadores para que seja cada dia mais consolidada esta grande festa.

Para concluir resgatamos do arquivo os cartazes referentes às vinte festividades. São elementos de elevado valor no processo de folk-comunicação e geram a difusão do conteúdo programático, a valorização dos atrativos culturais e a importância do cerimonial religioso. É possível estudar a caminhada do evento por meio de seus cartazes. Paralelamente guardam em si mesmos um conceito estético, que valoriza a cor vermelha (cor votiva do Espírito Santo) e a imagem do Paráclito do Santuário de Matosinhos. Há uma constante também na exposição das datas limites, sendo que até o ano de 2003 a data mais recuada nos cartazes era 1783, ano que a festa pentecostal de Matosinhos recebeu o título de jubileu perpétuo, através de um breve pontifício do Papa Pio VI, de 06 de abril. A partir do cartaz de 2004, os festeiros optaram por colocar a data da primeira festa de Pentecostes em Matosinhos, 1774, com a primitiva igreja novíssima ainda, pois suas obras de construção haviam iniciado só quatro anos antes... 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano:1998 -  Medida: 46 x 31 cm, papel off-set.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 1999 - Medida: 63 x 44 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2000 - Medida: 60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2001 - Medida: 
63 x 45 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2002 - Medida: 
57 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2003 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.  

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2004 - Medida: 
60 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2005 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2006 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.  

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2007 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei. 

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2008 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2009 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2010 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2011 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2012 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2013 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2014 - Medida: 
60 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.

Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2015 - Medida: 
62 x 42 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.


Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2016 - Medida: 
62 x 41,5 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.



Cartaz: Jubileu do Divino Espírito Santo.
Ano: 2017 - Medida: 
59,5 x 40 cm, papel couché.
Paróquia de Matosinhos - São João del-Rei.


Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Festa do Divino 2017: programação básica

A vinte anos atrás iniciava em maio a Festa do Divino em formatação que privilegiava os elementos litúrgicos, históricos e culturais, primando pela harmonia entre a fé e a tradição. Aquela festa de 1998 entrou para a história como um resgate religioso-cultural devido ao árduo esforço de uma pequena comissão de festeiros sob a organização do artista sacro Osni Paiva e direção do Padre José Raimundo da Costa, que não mediram esforços para dar nova vida e impulso a uma festividade setecentista praticamente em ocaso a 74 anos! A ação ousada mas bem planejada surtiu efeito. A festa fixou-se, passou por algumas reconfigurações, mudanças da equipe, mas prossegue como a maior festa religiosa envolvendo a cultura popular da região. 

Com o tema "Maria, Templo do Espírito Santo" inicia-se com uma vigília no próximo dia 23 de maio a tradicional festa jubilar em honra ao Divino Espírito Santo na paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei/MG. Finda a Santa Missa, sob o toque de caixas, haverá a tradicional entronização da imagem do Divino junto ao trono do padroeiro. 

No dia seguinte inicia-se a novena, sempre após a missa das 19 horas. Destaca-se que antes da celebração do primeiro dia da novena, 26 de maio, acontecem os levantamentos de mastros: na Gruta do Divino, no Salão de Santa Clara, na Igreja de Santa Teresinha e no próprio santuário, sequencialmente, a partir de 18 horas. Os eventos religiosos desse dia incluem também adoração e bênção do Santíssimo Sacramento, além de confissões. Durante os dias da novena haverá participação das comunidades e movimentos paroquiais. Após cada dia da novena acontece um show no coreto da festa. 

No dia 28, consagrado a Nossa Senhora da Lapa, a Cavalgada do Divino parte as 9 horas da manhã, da Vila Santo Antônio. Na missa noturna, acontecerá a tradicional coroação da imagem da Virgem da Lapa, sob a voz do Coral Coroinhas de Dom Bosco. 

O sábado, véspera de Pentecostes, 3 de junho, a partir das 16:30 horas, principia movimentação na Igreja de São Francisco de Assis para início da Procissão do Imperador Perpétuo (Santo Antônio), com saída às 17 horas. A procissão tem grande relevância e atravessa o Centro Histórico, com a participação de vários grupos de folias do Divino, que fazem alternadamente toda a parte musical da procissão. A chegada ao santuário é sempre empolgante e festiva e as folias entoam também os cantos da missa, cada qual em seu próprio ritmo. Por fim, as folias fazem apresentações individuais no coreto da festa. 

Domingo de Pentecostes, dia 04 de junho, a alvorada típica acorda a população para o festejo e 8 horas acontece a missa festiva. Os congados chegam aos poucos, do município e de outras cidades, próximas e distantes, conduzidos ao café da manhã. Logo depois se apresentam no adro e no largo, até se deslocarem no meio da manhã para a Vila Santo Antônio, em cujo salão comunitário recolhem os reis e rainhas, trazendo-os em cortejo ao interior do santuário. 

Após o almoço, novo cortejo se forma, desta feita em direção à Vila Santa Teresinha, em cuja igreja, após ser visitada por cada guarda, recolhem o Imperador do Divino para as solenidades. A missa solene das 16 horas é uma celebração de elevada importância e concorrência de fiéis. Ao seu término, sendo celebrada pelo Bispo Emérito da Diocese de São João del-Rei, acontece a coroação do novo Imperador do Divino, eleito para este ano, Adilson Rodrigues Júnior, que receberá as insígnias do Imperador do ano anterior, Nelson Domingos de Abreu. 

Segue a procissão solene e luminosa, às 18:30 horas, concorridíssima. Na chegada ao santuário as solenidades se concluem com a bênção do Santíssimo Sacramento. O encerramento, no adro, se antecede pela descida dos mastros, seguida da despedida das congadas e show de encerramento. 

É uma festa na qual se irmanam sob as asas do Paráclito seus alegres devotos, levando emoção, transmitindo musicalidade e união. A Festa do Divino merece ser preservada, incentivada, prestigiada, salvaguardada e até mesmo registrada como elemento ímpar de nosso patrimônio cultural imaterial. 

Folia do Divino do Bairro Guarda-mor, Mestre João Matias. 23/05/2015. 

Imperador sob a umbela e sua corte, na Rua Padre José Maria Xavier. 23/05/2015. 
Marujos de Conselheiro Lafaiete, do Capitão Ganair: presença contínua desde 1998. 

Coroação do Imperador pelo Bispo Diocesano. 

Aspecto do almoço. 

Entrada dos Imperadores no santuário para a Missa Solene. 

Chegada do Cortejo Imperial. 


Descida do Mastro do Divino. 


Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 15/05/2016 (outras datas indicadas nas legendas)

sábado, 11 de março de 2017

Chegada do Cortejo Imperial

Neste vídeo vemos alguns momentos da chegada do Cortejo Imperial da Festa do Divino em São João del-Rei, na Paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, quando vários congados escoltam o Imperador do Divino até a igreja para participar da missa solene de Pentecostes. 



Notas e Créditos

* Vídeo: Iago C.S. Passarelli, 15/05/2016
** Texto, acervo e edição: Ulisses Passarelli

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Procissão do Imperador Perpétuo

O Blog MATOSINHOS: história & festas apresenta mais um vídeo: a Procissão do Imperador Perpétuo. Ela é parte do Jubileu do Divino de São João del-Rei, que embora centrado no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos neste momento específico, véspera de Pentecostes, extrapola sua jurisdição eclesiástica e os limites do grande bairro. 

As 17 horas do sábado sai a procissão da Igreja de São Francisco de Assis rumo à de Matosinhos, atualmente atravessando o coração do centro histórico, pela antiga Rua Direita (atual Getúlio Vargas). É aberta por cavaleiros, portando o estandarte do Divino além de flâmulas e guiões; seguem membros da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Matosinhos e outros irmandades convidadas; vem a seguir os fiéis e formando corpo com a procissão vários grupos de folias. Na sequência é a vez da corte imperial, ricamente trajada, o próprio Imperador e por fim a liteira carregada por militares, no interior da qual está a imagem do Imperador Perpétuo, Santo Antônio. 

A festa, que existe desde 1774, incorporou esta procissão no seu desenvolvimento a partir das primeiras décadas do século XIX, desde que comerciantes da cidade elegeram Santo Antônio de Pádua para o cargo de Imperador Perpétuo (vide link ao fim da postagem). Com isto, todos os anos mudava-se o Imperador Coroado, mas o Perpétuo se mantinha. A procissão desapareceu ao longo dos anos, em data incerta. A própria festa foi paralisada em 1924 e depois voltou noutros moldes, bem tênue. Sofrera os efeitos da romanização católica e ainda a supressão motivada pela invasão de bancas de jogos de azar. Em 1998 a Festa do Divino foi reativada com grandes cuidados nos aspectos religiosos e culturais e se mantém ativa e forte. Desde então foi retomada a figura do Imperador Perpétuo e sua procissão, colorida, cheia de fé e musicalidade. 

As folias no longo trajeto se alternam nos toques. A grande maioria é de folias do Divino da própria cidade e por vezes outras dos municípios vizinhos e no caso específico deste vídeo, observa-se a folia de Coqueiros (Nazareno/MG), a primeira a tocar, que não é do Divino, mas uma folia de Reis e São Sebastião. O vídeo termina no momento de uma breve parada na Gruta do Divino, onde sob a direção do sacerdote se unem em preces e cantos laudatórios ao Espírito Santo. 

A gruta está a meio caminho de Matosinhos. A procissão segue, embora o vídeo não mostre e na empolgante chegada as folias adentram o santuário e cantam durante a missa, cada grupo se responsabilizando por um canto litúrgico na sua própria toada. A seguir ganham um lanche e depois se reúnem em torno do coreto no adro para apresentações ao grande público, no encontro de folias. 

Assim é o sábado que antecede imediatamente o Pentecostes em São João del-Rei. É o último dia da novena e preparação imediata para o dia maior do grande festejo jubilar em honra ao Paráclito. 

Aspecto geral da chegada da Procissão do Imperador Perpétuo no
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 23/05/2015. 


Notas e Créditos

* Texto, edição do vídeo e acervo: Ulisses Passarelli
** Vídeo e fotografia: Iago C.S. Passarelli, 23/05/2015
*** Para saber mais a respeito leia:

  A PROCISSÃO DO IMPERADOR PERPÉTUO   
  FOLIA DO DIVINO DAS ÁGUAS FÉRREAS 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Bom Jesus, Pai de Clemência!

O excelso padroeiro de Matosinhos, neste 14 de setembro, foi novamente festejado por uma multidão de fieis em São João del-Rei, no dia maior de seu grande jubileu. Após a preparação habitual da novena e todas as celebrações ao longo destes últimos dias, culminou a festividade com a concorridíssima procissão, esperado momento que trouxe a veneranda imagem às ruas do bairro, sob os acordes da Banda Sinfônica do Santuário. 

Como bem diz seu hino de louvor, o Bom Jesus em clemência demonstra na expressividade de sua imagem um olhar terno de um pai do povo, acolhedor, piedoso e repleto de graças, benesses aos que tem fé e seguem sua palavra. Com grande eloquência diz a estrofe em tocante melodia: 

"Bom Jesus, Pai de Clemência!
Tende dó dos vossos filhos...
Dai alívio às nossas dores,
Bom Jesus de Matosinhos!"

Muito embora em si não haja novidades, a repetição do evento é extremamente participativa, como uma premissa renovadora das esperanças e da fortaleza da fé. O jubileu prima pela evangelização e congrega socialmente a comunidade e visitantes em torno da liturgia. A força da palavra é notável no jubileu. O badalar do sino marca os momentos principais, anunciando e convocando os devotos. Muitos aproveitam o ensejo para visitar a "Sala dos Milagres", nome popular de uma das dependências do santuário onde se concentram numerosos ex-votos.

Concluída a movimentação religiosa, dispõe-se de diversões que socializam a massa humana que toma conta do adro do santuário e do largo: shows diários em palco ali armado, sonorizado e iluminado, barraca de jogo de víspora - tão querido - e barraca de comes e bebes. Do lado externo outras tantas barracas e bancas cuidam de comercializar alimentos e bebidas. 

A festa jubilar é o resultado de uma fé motriz que arregimenta muitos voluntários, colaboradores, festeiros, ajudantes, compondo uma comissão de abnegados devotos que em trabalho silencioso e intensivo entrega sua dedicação e esforço em prol do sucesso do evento religioso. Esse povo de Deus em mil e uma tarefas prepara tudo. O jubileu tem o seu suor. Merece efusiva parabenização toda a equipe envolvida na organização. 


Vista parcial da imagem do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. 
Momento da missa: apesar de grande, a igreja lotada não comporta os fieis
que ouvem a celebração do adro do santuário. 
Aspecto do altar-mor enfeitado de flores. 

O trono: a cruz vazia, algo muito simbólico... Jesus está nas ruas,
abençoando o povo! 


14 de setembro: Dia da Exaltação da Santa Cruz.
Um buquê de orquídea olho de boneca (Dedrobium nobile)

 faz a ornamentação específica.  
Exemplar de ex-voto pintado, exposto à visitação pública.
Acervo do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, São João del-Rei. 

Na saída da procissão pelo portão central do adro,
o povo se aglomera e uma chuva de papel picado

 cai sobre o andor. 

Pálio guarnecido por lanternas carregada por membros de irmandades religiosas

Detalhe da custódia com relíquia. 

Enquanto o Santuário se esvazia a rua lota: em demonstração pública da fé
a multidão acompanha em prece a grande imagem do padroeiro. 

Aspecto da principal artéria do bairro (Avenida Josué de Queiroz) tomada
de fiéis durante a passagem da procissão. 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli.
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 14/09/2016.
*** Para saber mais a respeito desta devoção, acesse neste blog a seguinte postagem abaixo lincada:

DEVOÇÃO AO SENHOR BOM JESUS DE MATOSINHOS

sábado, 4 de junho de 2016

Moçambique de São João del-Rei






Moçambique Santa Efigênia, de São João del-Rei/MG, Bairro São Geraldo,
em seu segundo ano de participação na Festa do Divino, 
na Paróquia do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, 
em São João del-Rei/MG, 2016. 
Os vídeos lincados abaixo mostram a mesma guarda nesta festa.


24/05/2015 - toque: jomba

15/05/2016 - toque: carijó

Notas e Créditos

* Fotografias e vídeos: Iago C.S. Passarelli
** Texto, edição e acervo: Ulisses Passarelli

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Congo do Alto Maranhão na Festa do Divino




Guarda de Congo do Alto Maranhão (Congonhas/MG), durante a 
Festa do Divino em São João del-Rei, batendo o raro toque de langa. 

Notas e Créditos

* Vídeo: Iago C.S. Passarelli
** Edição e acervo: Ulisses Passarelli

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Festa do Divino, São João del-Rei, 2016: programação

Inicia-se hoje mais um Jubileu do Espírito Santo, a célebre Festa do Divino, no santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei. Segue em tópicos a programação oficial, referencida a partir do informativo do evento, boletim anual publicado pela Comissão Organizadora da Festa, edição nº19. 

O tema deste ano é "O Espírito Santo e a Misericórdia de Deus".

Procissão do Divino e ao fundo o Santuário de Matosinhos.
São João del-Rei/MG. 24/05/2015.
Período da novena

Dia 04: 
- 19 horas - Santa Missa e Vigília de Pentecostes

Dia 05:
- 17 horas - Visita ao Imperador (com a presença dos caixeiros e da Comissão do Divino)
- 18 horas - Deslocamento para a Capela do Menino Jesus de Praga onde acontecerão homenagens àquela comunidade. Em seguida, vinda ao Santuário. 
- 19 horas - Santa Missa
- Após a celebração ocorrerá o ritual de entronização da imagem do Divino aos pés da imagem do Sr. Bom Jesus de Matosinhos.

Dia 06 a 14 de maio: 
- 19 horas - Santa Missa no Santuário e a seguir, celebração da novena. Os subtemas para meditação, em sintonia com o Ano Santo da Misericórdia, conforme expressamente diz o programa são: 

- Dia 06: Jesus Cristo - o rosto misericordioso do Pai;
- Dia 07: O mistério da misericórdia de Deus;
- Dia 08: Deus é paciente e misericordioso;
- Dia 09: Eterna é a sua misericórdia;
- Dia 10: Misericórdia - o agir de Deus para conosco;
- Dia 11: A urgência de testemunhar a misericórdia;
- Dia 12: Missionários da misericórdia;
- Dia 13: Justiça e misericórdia;
- Dia 14: Maria, a Mãe da Misericórdia.

Como de costume, cada dia será celebrado por um sacerdote diferente e contará com a participação das comunidades, movimentos e pastorais. 

Destaque para as seguintes atrações e atividades:

Dia 06: 
- a partir de 18 horas: levantamento dos mastros, sequencialmente, na Gruta do Divino, Santa Clara e Igreja de Santa Teresinha e após a novena é a vez dos mastros no adro do Santuário.
Dia 08: 
- 09 horas: Cavalgada do Divino, partindo da Vila Santo Antônio;
- 19 horas: participação do Coral Coroinhas de Dom Bosco na celebração e coroação da imagem de Nossa Senhora da Lapa.
Dia 14 de maio:
- 17 horas: Procissão do Imperador Perpétuo, saindo da Igreja de São Francisco de Assis para o Santuário, com participação das folias do Divino;
- 19 horas: participação das folias na missa, e logo após, apresentações das mesmas no coreto da festa.

A agenda de shows, após as celebrações diárias, a partir das 20 horas no coreto do adro é a seguinte: 
- Dia 06: Grupo Vinde e Vede da Paróquia de Matosinhos;
- Dia 07: Joyssy e João Paulo;
- Dia 08: Ladinho e Oswaldo;
- Dia 09: Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier;
- Dia 10: Banda do Chá Preto;
- Dia 11: Renato e Cipó;
- Dia 12: Isa e Rafa;
- Dia 13: retreta com a Banda de Música do Santuário de Matosinhos e show com a Banda Almenaras, de Ritápolis;
- Dia 14: encontro de folias no coreto;
- Dia 15: Banda Raízes Sertanejas.

Dia Maior, Domingo de Pentecostes, 15 de maio

- 6 horas: alvorada festiva;
- 8 horas: missa festiva e recepção aos congadeiros;
- 9:30 horas: recolhimento do reinado na Vila Santo Antônio. Na chegada, saudação ao Imperador pelos congados;
- 10 horas: missa na Igreja de Santa Teresinha;
- 13 horas: saudação a Nossa Senhora do Rosário pelos congados na Igreja de Santa Teresinha;
- 14 horas: cortejo imperial, rumo ao santuário;
- 16 horas: missa solene e coroação do novo Imperador;
- 18 horas: solene procissão luminosa do Divino Espírito Santo;
- 19:30 horas: bênção do Santíssimo Sacramento após a chegada da procissão;
- 20 horas: descida dos mastros e despedida dos congados;
- 20:30 horas: show de encerramento.

Como nos anos anteriores, o Bispo Diocesano Dom Célio de Oliveira Goulart celebrará a missa solene de Pentecostes e o Bispo Emérito Dom Waldemar Chaves de Araújo celebrará dia 06. 

No jubileu de 2016, deixa a coroa o Imperador Sr. Francisco José do Nascimento e a receberá o Sr. Nelson Domingos de Abreu, que está na Comissão do Divino desde sua fundação, em 1998 e já a presidiu por duas vezes. 

Imperador Sr. Francisco José do Nascimento,
saúda aos fiéis no Santuário, logo após a sua coroação
pelo Bispo Diocesano de São João del-Rei. 24/05/2015.
 

Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Iago C.S. Passarelli, 24/05/2015

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Entendendo a imagem do Divino


Em geral as principais representações materiais do Paráclito são em forma de pomba e de língua de fogo, inspiração livre nas escrituras bíblicas. Pomba e fogo aparecem artisticamente aplicados sobre uma pintura em estandarte, bandeira, flâmula, quadro, painel, medalhão ou escudo e em especial a pombinha branca aparece esculpida ou moldada sob a forma de imagem. É tal como o vemos no retábulo ou no forro de várias capelas e igrejas e ainda, na arte popular, figurando airosa nos estandartes de procissões e nas bandeiras de grupos de folia do Divino e ternos de congado.[1]

Perpassando estes elementos vemos que o artista executor da imagem ou da pintura, nas mais diferentes flâmulas e na imaginária, se vale de alguns artifícios para fixar a simbologia agregada ao Espírito Santo. Muitas vezes é acrescida de elementos simbólicos que reforçam as impressões populares pela adição de efeitos. Entendo-os assim: 

efeitos luminosos (halo, fachos, raiadas, línguas de fogo, brilho, clarão);
efeitos de santidade (auréola, resplendor);
efeitos de poder (coroa, cetro);
efeito de pacificação e esperança (ramo verde no bico, interpretado como de uma oliveira);
efeitos sacramentais (1- figuração de água – lembrança do batismo de Cristo no Rio Jordão; 2- pombinha ao centro de uma custódia – representação bastante generalizada);
efeitos de divindade (1- pintura de nuvens se afastando para aparição da pomba; 2- nuvens em torvelinho ao seu redor, acinzentadas em cataclismo; 3- céu se abrindo como se tragado de um plano superior donde emana luz, representado em gradação branca-amarela-laranja);
efeito de efusão (vento representado como tracejado paralelo branco-azulado-cinzento,  saindo da pomba em direção à Terra);
efeito de movimento (quase sempre a pomba está de asas abertas, voando em graciosa lateralidade ou em fase de descida. Por estar voando suspensa confere a ideia de estar acima de nós, de um ser superior).

O lado místico se revela pela própria condição de uma devoção não antropomórfica, ou seja, existe uma dificuldade em confeccionar uma imagem do Divino ou pintá-lo, pois que o Espírito Santo não apareceu sob forma humana; não é como os santos, que foram gente. Daí o artista buscar os artifícios acima enumerados para melhor fixá-lo a partir da abstração natural.

A imagem do Divino Espírito Santo existente no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei, é extremamente significativa por sua origem e elementos simbólicos, além de ser uma belíssima obra de arte religiosa.

Ela é do século XIX. Foi doada pelo Imperador do Divino Tomaz Antônio Gonçalvez. Tem a forma de custódia. Atrás dela existe a seguinte inscrição: “Feita nesta cidade de São João del-Rei, em maio de 1868, por Manoel Pereira Maya, natural de Piracatu [2], por mandado do Imperador do Espírito Santo Thomaz”. A inscrição foi descoberta numa restauração. Naquela ocasião foram retiradas dezesseis lâmpadas coloridas, com as respectivas boquilhas, que um inconsequente fixara nas raiadas da imagem, descaracterizando-a. O acréscimo de gosto duvidoso fora realizado na segunda metade do século XX. Atrás, sobre a dita inscrição, um terrível emaranhado de fios punha a peça sacra sob o risco de incêndio, por um muito plausível curto-circuito. Considere-se que é feita de madeira. Retomou sua autenticidade.

Nela vemos a pombinha presa à peça principal por um pequeno gancho nas costas, o que a torna pendente de fato, pelo que, em procissão, conforme o balancear do andor, parece mesmo que está voando... Como plano de fundo existe o recorte de um triângulo equilátero, simbologia representativa da Santíssima Trindade, da qual o Espírito Santo é a Terceira Pessoa. Acima dela está esculpida uma coroa e dois cetros cruzados, elementos da realeza simbólica, poder, reinado, império, súditos que são os fiéis do Espírito Santo, o povo de Deus. O fato de serem dois cetros talvez ultrapasse a pura estética da composição: lembremos que se hoje temos apenas o Imperador do Divino, na festa do passado também tínhamos a Imperatriz. É plausível que os dois cetros possam ser alusão ao casal imperial.

Bandeira de congado,
Moçambique Divino Espírito Santo, Piracema/MG
durante do jubileu em Matosinhos, São João del-Rei, 28/05/2012.

Medalhão aplicado a um estandarte de procissão.
Acervo da Comissão Organizadora da Festa do Divino, Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 28/05/2012.

Quadro de mastro fincado diante da Igreja de Santa Teresinha,
Matosinhos, São João del-Rei, durante a Festa do Divino.

Imagem do Divino, Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 18/05/2013.

Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

Bordado representativo do Divino numa antiga dalmática.
Acervo do Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
São João del-Rei/MG, 25/03/2012.

Pintura do Divino na bandeira da Folia do Divino "Embaixada Santa",
São João del-Rei/MG, 04/04/2012. 


Notas e Créditos

* Texto: Ulisses Passarelli
** Fotografias: Ulisses Passarelli (bandeira de folia, dalmáticas) e Iago C.S. Passarelli (imagem, estandarte, quadro de mastro, bandeira de moçambique)
[1] - Publicado no Informativo do Jubileu do Espírito Santo, n.19, maio/2016, São João del-Rei.
[2] - Piracatu: Paracatu, cidade do noroeste mineiro.